25 setembro 2009

Quando vier a Primavera




No Brasil, já é Primavera e aqui no Norte já é Outono.
O ano vai passando rápido nos dois hemisférios. O ciclo da vida segue seu passo independente da velocidade que a vida e a mente de cada pessoa está. A natureza tem o seu ritmo.

Enquanto a Primavera ilumina o sul do mundo para a época de recomeçar, florir, colorir, expandir, ir pra fora. No norte, o Outono caminha para o escuro do inverno dando oportunidade da colheita dos frutos plantados nas estações anteriores; as folhas mudam de cor avisando que o descanso necessário está por vir para que haja preparação de novos frutos e flores.

A natureza é sábia e tem o seu ritmo, independente das besteiras que nós humanos façamos. Ela é a grande mãe que nos nutre e nos oferece tudo com perseverança e paciência, independente do mau filho ou filha que possamos ser.

A Mãe Natureza também tem os seus momentos temperamentais que é fundamental para o seu reequilíbrio. Seja através de alguma doença pelo qual o nosso corpo grita por atenção e descanso; seja por catástrofes ou tempestades que a ajudam a trazer o reequilíbrio global.

O fato é que a natureza caminha no seu próprio tempo e não temos controle algum sobre isso, mesmo que muitas vezes ela nos deixa ter essa ilusão.

Pode ser amedrontador reconhecer que, na verdade, não temos controle sobre nada; mas pode ser libertador reconhecer que controle é perda de tempo e o que nos resta é fazer as escolhas dentro do nosso ritmo de ser feliz.

Você está no ritmo da sua natureza de ser feliz?
Por qual sonho você acorda todos os dias?

Iria C Sebastião
Seguindo o meu ritmo. Às vezes meio acelerado, às vezes meio parado.


(Copyright © 2009)

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Quando vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

(Alberto Caeiro – Pseudônimo de Fernando Pessoa)



(Pra mim, esta poesia foi uma libertação. O reconhecimento que, independente de qualquer coisa, a vida segue. Descobri este texto num dia muito triste, depois do enterro de alguém muito querida.
Após ler esta poesia lembrei no quanto a pessoa que tinha partido celebrava a vida, mesmo depois dos seus 80 anos.
Dei-me conta que celebrar a vida que ela teve era mais importante que chorar a sua partida.
Ao invés de ir para casa em prantos, fui dançar. E aposto que ela ficou mais feliz com essa homenagem.
Ela foi uma das pessoas que me ensinou a celebrar a vida enquanto ela vivia, e depois de ter partido também.
Obrigada Stella.)

18 setembro 2009

Estrela Guia


Todo mundo tem uma estrela íntima que indica a direção que podemos seguir para ser felizes. Podemos porque seguir é uma opção.

Lá no fundo a gente sempre sabe o que é bom para nós: relacionamentos, amigos, trabalho e estilo de vida que realmente nos fazem – ou fariam - felizes.

Essa estrela é mais cintilante quando estamos na direção certa, e isso pode ser percebido facilmente pela qualidade da nossa saúde, humor e energia diária. No entanto, outras vezes, quando tomamos decisões baseadas em medo (de mudar, arriscar, enfrentar figura de autoridade e outrs) a estrela não brilho tanto quando poderia – e a saúde, humor e energia também não são a mesma coisa.

A decisão baseada em medo pode ser consciente ou inconsciente. E, importante lembrar que não tomar decisão é uma forma de decidir– e baseada em medo.

Medo é útil para casos de sobrevivência. Não andar numa rua obviamente perigosa é mais seguro, não brincar com cachorro bravo, não pular de certa altura, ou deixar de pedir demissão do emprego que você odeia pra ter certeza que a família vai ter o que comer (o que não impede de ficar procurar persistentemente algo melhor, claro!).

Certa dose de medo é importante; mas quando ele impede de ser feliz não é saudável – nem inteligente.

Medo não é necessariamente gritante como a idéia de pular do avião sem pára-quedas sair correndo de cachorro bravo. É também aquele suave sentimento de ‘melhor deixar assim que nem está tão ruim mesmo’.

Esse tipo é ainda mais perigoso porque sutilmente impede de dar passos importantes para ser mais feliz com desculpas muito convincentes. Tão convincentes que nem parecem ser desculpas, e muito menos, medo.

Mas mesmo enquanto paralisados pelo medo – seja ele disfarçado ou não – a nossa estrela continua murmurando sutilmente o caminho a seguir, a decisão e a atitude a tomar. E por mais louca, inconseqüente e incomum que a mensagem possa parecer, a estrela continua murmurando com a persistência e a profunda certeza de que SER FELIZ É A ÚNICA COISA QUE IMPORTA.

O que a sua estrela está murmurando?


Por qual sonho você acorda todos os dias?


(Copyright © 2009)